quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Depois de mais de 16 anos Marcelo Ramos se desfilia do PCdoB



O vereador reafirmou sua posição favorável ao partido, mas disse não aceitar a punição

O vereador Marcelo Ramos anunciou, nesta quarta-feira (05/08), a desfiliação do Partido Comunista do Brasil. Acompanhado de familiares e funcionários do gabinete, Marcelo reafirmou a importância do PCdoB na história política do Amazonas, mas disse que não aceita a punição deflagrada apenas por alguns membros do partido, que considerou ofensiva e incoerente.

“Não me arrependo de ter estado nenhum dia dentro do Partido Comunista do Brasil. Diferente de outros tempos, não saio em conflito com o PCdoB, apenas em dissonância com um pequeno grupo. Todos conhecem a minha história política e sabem que os conflitos internos não são de hoje”, disse Marcelo.

De acordo com o vereador, o argumento do partido, que recomendou uma suspensão das atividades internas, é baseado no fato de Ramos ter apoiado o prefeito Serafim Correa nas últimas eleições. Marcelo lembrou que o partido decidiu não se coligar com nenhum outro grupo, adotando uma postura de independência, embora uma facção tenha subido no palanque do candidato Omar Aziz, do PMN.
Marcelo acredita que a decisão partidária foi tendenciosa e citou como exemplo o caso do deputado estadual Wilson Lisboa, que apoiou o candidato Amazonino Mendes e não sofreu qualquer sanção.

Além disso, a carta do PCdoB pede que o vereador siga o projeto político do PCdoB para 2010 e 2012, embora eles não sejam claros quanto ao teor das alianças.
“A tendência natural é que o Partido Comunista esteja lado a lado com o PMDB de Eduardo Braga. Esta aliança com o governo estadual é válida, mas não posso desconsiderar o fato de que existe a possibilidade de que o candidato do governador seja o atual prefeito de Manaus. Não admito a hipótese de caminhar lado a lado com o Amazonino Mendes depois de integrar uma equipe que é claramente de oposição na Câmara Municipal”, explicou Marcelo, reafirmando que esta é uma postura de coerência.

O vereador também falou que espera maturidade por parte do PCdoB. Ele acredita que o partido não deve recorrer junto ao Tribunal Regional Eleitoral para reaver o mandato. Informou que, se esta for a postura dos comunistas, há jurisprudência em outros casos, o que garante que Marcelo seja mantido na Câmara.

Ele lembrou que em 2000 foi o vereador mais votado do PCdoB e só não entrou naquela época no parlamento municipal porque o partido não atingiu o coeficiente eleitoral. “Se for preciso vou lutar pelo mandato, mas acredito que isso seja desnecessário. Quero registrar o esforço de Eron Bezerra em me manter no partido, mas enquanto eu dialogava tanto com ele quanto com a direção nacional fui surpreendido com a punição. Então acredito que muitos entendam que é preciso manter a coerência das minhas ações”, afirmou.

Marcelo também recordou que esta não é uma decisão eleitoral, já que a tendência natural seria uma candidatura a deputado estadual pelo PCdoB no ano que vem. “É uma decisão política, que leva em conta uma história de 15 anos dentro do PCdoB. Saio com a certeza de que cumpri meu papel partidário”, falou

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